Tuesday, September 8, 2009

Recompensa funciona melhor que punição, mostra estudo de Harvard


Quer cooperação? Recompensar acertos pode ser mais eficaz que punir os erros, indica um novo experimento em teoria dos jogos, divulgado na revista "Science" desta sexta-feira (4).

No jogo dos Bens Públicos --um modelo de economia experimental--, jogadores escolhem se querem ou não contribuir com dinheiro para um montante comum. Este é multiplicado e redistribuído igualmente, independentemente de quem contribui e de quem não o faz.

Quando as pessoas jogam uma versão pura do jogo, a tentação de tirar proveito da situação --pegar a recompensa sem contribuir nada-- frequentemente leva à rápida desintegração da cooperação.

Pesquisa anterior mostrou que a cooperação é promovida ao permitir que os jogadores punam os aproveitadores: jogadores cooperativos pagariam uma pequena taxa que os permitisse infligir uma perda ao transgressor. Esta abordagem era mais efetiva que a recompensa, pelo menos em jogos em que os jogadores trocavam de parceiros a cada rodada.

David Rand e seus colegas na Universidade Harvard, que trabalham com assuntos tão diversos como economia, matemática e biologia, modificaram o jogo dos Bens Públicos para refletir o que eles argumentam ser um cenário mais natural: as pessoas jogam com o mesmo grupo por muitas rodadas, estabelecendo reputações uma com a outra.

Os jogadores poderiam escolher recompensar ou punir os outros a uma pequena taxa, caso o fizessem. Rand percebeu que recompensar ou punir conduziam igualmente à cooperação e a ganhos maiores.

No entanto, quando os jogadores tinham a opção de punir ou recompensar, e escolhiam recompensar, eles terminavam com um ganho final líquido ainda maior. "Ajudar o grupo acabava se tornando de interesse individual", diz o pesquisador.

"Você coça as costas do grupo e eu coço as suas", exemplifica.

Almoço grátis

Sam Bowles, professor de ciências comportamentais do Instituto Santa Fé, em Novo México, aponta que o jogo de Rand não reflete de maneira precisa economias reais. Ele indica, por exemplo, que sob as leis de Rand, o doador pagava US$ 4,00 e o beneficiado "magicamente" recebia US$ 12,00. Ele chama isto de um cenário artificial. "Se você pode levar embora o almoço de graça, tem alguma coisa errada", diz Bowles.

Rand explica que tais recompensas desproporcionais frequentemente acontecem quando nós investimos tempo, esforço e dinheiro ajudando as pessoas à nossa volta: ajudar um amigo a mudar os móveis, por exemplo, ou indicar um colega para uma promoção.

Ações como estas podem ter um menor custo para nós do que o benefício que podem proporcionar aos outros. "Este tipo de interação produtiva é a base de nossa sociedade e não deveria ser desconsiderada", argumenta ele.

Alguns ganhos com poker...



Alguns dos meu ganhos!!!

A maconha e a ciência

Tudo começou com um grande erro. Em 1855, a Sociedade Farmacêutica de Paris ofereceu um prêmio para o primeiro cientista capaz de isolar o princípio ativo da Cannabis sativa. O contemplado foi J. Personee (J. Pharm. Chim. 1855, 28, 461–463), um químico francês. Nem um mês se passou para que a comunidade científica da época constatasse o equívoco: o óleo extraído por Personee não era ativo! Não continha nenhum componente com atividade fisiológica - ao contrário da cannabis. Foi Vignolo, um químico italiano, que descobriu o erro: o óleo de Personee era rico em sesquiterpenos, substâncias abundantes na cannabis, mas sem atividade biológica. Durante várias décadas, a busca pelo princípio ativo da cannabis continuou, em todo o mundo. Enquanto que a morfina, a cocaína, a strychnina, a cafeína e outros alcalóides eram isolados e caracterizados, nenhuma novidade aconteceu com a cannabis. Isto porque, ao contrário dos alcalóides - que são facilmente isolados na forma de sais - os terpenóides (tal como o THC) requerem técnicas químicas mais apuradas, inexistentes até 80 anos atrás. O primeiro químico a obter um extrato ativo da cannabis foi Wood, em 1896, na Cambridge University (J. Chem. Soc. 1899, 75, 20-36). Segundo palavras do próprio autor: "The red oil, is extremely active, and taken in doses of 0.05 g induces decided intoxication followed by sleep. The symptoms produced by it are peculiar to Cannabis indica, and as none of the other products appear to possess this action, this substance must be regarded as the active constituent of the plant."

A história do THC na química é ainda mais bizarra: tivemos conhecimento da versão sintética antes de isolarmos a versão natural! Em 1930, Cahn isolou o cannabinol - extraído a partir do óleo de Wood. Na época, acreditava-se que o cannabinol fosse o principal ingrediente ativo da cannabis. O químico americano Adams e o britânico Todd, na década de 1940, desenvolveram várias rotas sintéticas para análogos do cannabinol. Para sua surpresa, uma das rotas levou a um composto com intensa atividade biológica, muito maior do que o cannabinol. Era o d-9-THC (
J. Amer. Chem. Soc. 1949, 71, 1624-1628). Dentre os vários derivados preparados, o d-9-THC era o mais ativo. Os químicos da época, então, desconfiaram que a cannabis deveria ter, também, este terpenóide. Entretanto, foi somente em 1964 que a primeira isolação do d-9-THC na forma pura ocorreu. Os químicos Gaoni and Mechoulam obtiveram, de uma extração com hexano de uma amostra de hashish, vários cannabinóides, entre ele o d-9-THC, na forma cristalina.

Maior até do que dos usuários, o interesse dos cientistas pela marijuana está sempre se renovando:
todos ficam fascinados pelo poder que as substâncias contidas nesta planta exercem sobre o homem. Entretanto, foi somente em 1988 que a pesquisa sobre a maconha deu um grande salto: Howlett et al. (Mol. Pharmacol. 33, 297-302) descobriram a existência de neurorecpetores para os compostos cannabinóides: isto é, determinados grupos de proteínas existentes em alguns neurônios cujo objetivo era unicamente o de se ligar a compostos com estrutura química semelhante a dos cannabinóides. Howlett chamou estes receptores de CB1; em 1993, outro grupo de receptores para cannabinóides foi descoberto, desta vez por Munro et at. (Nature 1993;365:61). Munro chamou este novo grupo de receptores como CB2.

Receptores cannabinóides CB1 e CB2, sequenciados pelo GenBank. Ambos receptores são polipeptídeos com sete a-hélices transmenbrana e possuem N-terminais extracelulares glicosilados e C-terminais intracelulares. O receptor CB1 é maior do que o receptor CB2, nas regiões intra e extra celular. Na região transmembrana os dois receptores tem 78% de similaridade.

Diversas pesquisas, desde então, mostraram que os efeitos farmacológicos da marijuana são mediados por estes dois receptores. Ambos ativam mecanismos de transdução similares, incluindo a inibição da adenilate ciclase e de canais de Ca2+ do tipo N. O CB1 ocorre no cérebro, onde é responsável por efeitos característicos da cannabis (relaxação, bem-estar, analgesia, aumento da percepção audio-visual, depressão da atividade motora, analgesia e catalapsia) e também no sistema nervoso periférico. Aí, os receptores CB1 são localizados pressinapticamente e sua ativação pode produzir uma supressão da liberação de neurotransmitores. Os principais sintomas da ativação destes receptores são a estimulação do apetite, vasodilatação (particularmente dos vasos conjuntivos), taquicardia e inibição da mobilidade instestinal.
Os receptores CB2, até agora, somente foram localizados fora do SNC (sistema nervoso central), principalmente em células do sistema imunológico. Muitos autores relacionam a ativação destes receptores com imunosupressão, efeitos anti-inflamatórios e analgesia associada a processos inflamatórios. Ao contrário dos receptores CB1, pouco se sabe, ainda, sobre este grupo de receptores.


Era quase inconcebível para a maior parte dos neurologistas que o cérebro animal fosse gastar parte de seus nutrientes e mecanismos simplesmente para elaborar um receptor para uma substância provinda de uma planta. Tal como com a morfina, a descoberta de receptores biológicos para cannabinóides exógenos levantou a possibilidade para a existência de cannabinóides endógenos. Muitos químicos e bioquímicos, então, focaram seus esforço no sentido de descobrir candidatos a ocupar esta posição: cannabinóides endógenos.

QMCWEB:// Tema.de.Casa
Chemistry and Physics of Lipids 108 (2000) 1–13

O esquema acima representa uma das rotas sintéticas para o THC. Identifique os tipos de reações envolvidas em cada passo e os reagentes necessários para as mesmas. Submeta sua resposta para:
temadecasa@qmcweb.org

O primeiro ligante cannabinóide endógeno a ser isolado foi a etanolamida da arachidonila, chamada de anandamida. O nome vem da palavra "ananda", cujo significa em sânscrito é "prazer". Tão logo esta descoberta foi anunciada, centenas de veículos de comunicação publicaram manchetes como "Descoberta a molécula do prazer", ou "Cérebro produz maconha". Obviamente, um péssimo jornalismo científico, como sempre. Na verdade, a anandamida tem poucos efeitos similares ao THC, além de ser facilmente hidrolisada quando em contato com o receptor. Porém, várias situações estimulam o organismo a despejar grandes quantidades de anandamida nas fendas sinápticas: autores sugerem que esta droga esteja relacionada a momentos de relaxamento, prazer e calma. Um derivado sintético da anandamida - a metanandamida - possui uma potência mais elevada e maior estabilidade e mostrou-se portadora de grande efeito fisiológico. Outros derivados eicosanóides capazes de se ligarem aos receptores cannabinóides já foram isolados dos mais distintos tecidos humanos. Entre estes, o 2-arachidoniglicerol, considerado um dos mais potentes cannabinóides endógenos.

O QMCWEB já publicou, na seção The.Flash, um artigo sobre uma das grandes descobertas sobre o chocolate na última década. Cientistas estavam intrigado com o fato de que muitas pessoas deprimidas recorriam ao consumo de chocolate nos picos depressivos. Foi somente em 1996 (Nature 1996;382:677), que Di Tomaso e colaboradores indentificaram no pó de cacau e no chocolate um grupo de substâncias capazes de interagir com os receptores cannabinóides. Entre estas substâncias, estavam a anandamida (ela mesma!) e também dois compostos que podem interferir na hidrólise biológica da anandamida, a N-oleoiletanolamina e N-linoleoiletanolamina. Estes estimuladores cannabinóides, em conjunto com outros ingredientes ativos do chocolate (metilxantinas e aminas biogênicas) talvez justifiquem a fabulosa atração que estes doces exercem sobre as pessoas.



Tão logo se fez a descoberta dos receptores cannabinóides e dos cannabinóides endógenos, cientistas do mundo todo passaram a brincar de química orgânica e sintetizar os mais variados agonistas e antagonistas cannabinóides possíveis, para estudar as suas atividades biológicas. Embora o número seja imenso, os agonistas cannabinóides (incluindo os sintéticos) podem ser separados em 4 grandes grupos: não-clássicos, clássicos, aminoalquilindols e eicosanóides. O grupo clássico são os derivados do dibenzopirano - tal como o THC. O grupo não-clássico consiste em substâncias bicíclicas ou tricíclicas, similares ao THC, mas sem o anel pirano. O mais comum é o agonista sintético CP55940. Os demais grupos têm estruturas bastante distintas da do THC.

Os cannabinóides antagonistas exercem um efeito completamente oposto nos receptores CB1 e CB2 do que o dos agonistas. O composto SR141716A (patenteado pela empresa francesa Sanofi Recherche), por exemplo, é um dos antagonistas mais estudados. Seus efeitos, em ratos, incluem a supressão do apetite, o incremento da mobilidade intestinal, a melhora da memória recente e aumenta a liberação de neurotransmissores por neurônios centrais e periféricos.

Enquanto o debate sobre a liberação da maconha para uso medicinal continua, vários cannabinóides sintéticos já estão sendo utilizados pela indústria farmacêutica ou estão prestes a entrar no mercado. A tabela abaixo mostra algumas aplicações terapêuticas para agonistas e antagonistas do sistema cannabinóide endógeno.

Uso terapêutico para drogas cannabinóides
Drogas Uso
agonistas do CB1 Tratamento do câncer
Dor pós cirúrgica
anticonvulsivo
Antispástico em escleroses múltiplas
agonistas do CB1 periférico Incrementador do apetite
Disfunções glandulares
agonistas do CB2 Dor inflamatória periférica
Immunosupressão
antagonistas do CB1 Deficiência de memória
Tratamento da obesidade
Dependência alcóolica
antagonistas do CB1 periférico Disfunções glandulares

Desde a sua descoberta, os endocannabinóides e os exocannabinóides têm sido foco de centenas de trabalhos de química e bioquímica. Os receptores CB1 e CB2 já são considerados alvos para muitas terapias farmacêuticas. E é este, agora, o campo de ação para os pesquisadores e cientistas que trabalham com temas relacionados à cannabis. Isto prova que, de fato (como proclamam aos quatro ventos os defensores da liberação da marijuana) a natureza nos deu a maconha com um objetivo: o de nos tornar cientes da existência dos receptores cannabinóides em nossos próprios organismos!

A maconha como remédio

Poucas drogas são tão controversas quanto a marijuana. Para alguns, a droga é uma séria ameaça aos adolescentes, sendo um ponto de partida para o uso de drogas mais perigosas. Para outros, a marijuana é uma benção da natureza, capaz de aliviar o stress da vida cotidiana de uma forma mais amena e segura que outras drogas, como álcool ou sedativos. Ambas visões são extremistas, baseadas em argumentos subjetivos e imutáveis. A esta controvérsia, recentemente, foi acrescentado mais um tópico: o uso medicinal da marijuana.

O ingrediente com atividade biológica mais importante da marijuana é o d-9-tetrahidrocannabinol (THC), que pode ser encontrado para uso oral ou intravenoso em muitos hospitais norte-americanos. Esta substância já está liberada para ensaios clínicos em US, assim como em vários outros países (não ainda no Brasil). Por outro lado, o consumo da marijuana in natura - sob a forma de cigarros - ainda não foi liberado para uso medicinal, nem mesmo em US. Não, ao menos, a nível federal: vários estados norte-americanos aprovaram leis estaduais permitindo a venda e o uso de marijuana para uma variedade de indicações terapêuticas.

Estas iniciativas são, muitas vezes, apoiadas por grupos que defendem a liberação total do consumo de marijuana - mesmo para fins recreacionais. E encontram forte oposição dentre os grupos que classificam a marijuana como inimigo número 1 da civilização. Quem está certo? Seria a marijuana algo indispensável no receituário de um médico? Nesta seção, o QMCWEB tenta aproximar o leitor das promessas terapêuticas desta droga.

1) Náusea e vômito associados à Quimioterapia
QuimiterapiaMuitas drogas efetivas contra câncer provocam notórios efeitos colaterais: a destruição parcial do tecido epitelial acaba gerando náuseas e vômitos nos pacientes submetidos à quimioterapia. Estes reflexos acabam se tornando condicionados ao tratamento de tal forma, que, após algum tempo, basta a lembrança dos quimioterápicos para que os sintomas ocorram naturalmente. Desde 1975, Sallan et al. (New. Engl. J. Med. 1975, 293,795) fizeram testes clínicos com a ingestão oral de THC em pacientes submetidos à quimioterapia. Os resultados foram satisfatórios: tanto a náusea quanto vômito diminuiam de intensidade e frequência nestes pacientes. Outros trabalhos (o mais recente foi o de Schwartz, no J. Addict. Dis. 13, 1994, 53) indicaram resultados similares. Entretanto, o desenvolvimento recente de drogas sintéticas antieméticas tornou o uso do THC obsoleto: estas novas drogas são muito mais eficazes. Mesmo assim, grupos americanos de oncologistas ainda defendem o uso do THC, quer seja administrado juntamente com drogas antieméticas ou, ainda, sob a forma in natura, em cigarros de marijuana.
A medicina oferece alternativas mais eficazes (e menos polêmicas!) do que o THC para estes sintomas. Não obstante, é difícil acreditar que alguém sofrendo de náuseas e vômitos tenha condições de fumar um cigarro de marijuana...

2) Emagrecimento associado com patologias
A primeira patologia que vem a cabeça, neste caso, é a AIDS: esta doença debilita fisicamente os pacientes, tornando-os fracos e muito magros. Entretanto, várias outras moléstias (como anorexia nervosa e depressão severa) provocam o mesmo efeito e várias drogas têm sido testadas para aumentar o peso e força física do paciente.
Como um dos efeitos colaterais do uso da marijuana é justamente o aumento do apetite, logo pensou-se que esta droga poderia ser útil para estes pacientes.
Os primeiros estudos envolvendo a administração oral de THC em pacientes com estes sintomas foram feitos por Hollister (Clin. Pharmacol. Ther. 12, 1971, 44). Assim como em outras tentativas posteriores, esta droga não se mostrou muito eficaz - muito inferior a outros fármacos já disponíveis na época.
Entretanto, muitos grupos defendem o uso da marijuana - sobretudo na forma de baseados - para pacientes com AIDS. Um dos argumentos é que a marijuana poderia auxiliar a diminuir o sofrimento e angústia destes pacientes, além de melhorar o seu apetite. Não existem, todavia, estudos convincentes nesta área, principalmente devido às fortes restrições legais que os ensaios clínicos envolvendo o uso de baseados sofrem. Donald Abrams, um pesquisador da AIDS na University of California, San Francisco, diz que há poucos estudos relacionados ao uso da marijuana no tratamento de sintomas da AIDS: "there's no research showing benefits because it is very hard to get funding to do that work". De qualquer maneira, outros médicos especialistas na área alertam que os efeitos tóxicos da erva seriam bastante devastadores em um paciente debilitado, como no caso de um aidético.


O marinol é a forma comercial do THC sintético. Indicado para náuseas, é vendido livremente nas ruas de Amsterda.

3) Síndromes de dores crônicas
Embora os efeitos analgésicos da marijuana e do THC sejam fracos se comparados aos opióides, o fato de que estas drogas são menos aptas a causar dependência física que as últimas tem estimulado a busca de analgésicos derivados da cannabis. Até o presente momento, nenhum resultado satisfatório foi ainda obtido. Um estudo conduzido no estado Arizona, em US, mostrou que os pacientes retornavam ao uso de analgésicos convencionais para aliviarem suas dores, mesmo que livres para usar a marijuana.

4) Asma bronquial
A asma é uma resposta inflamatória das vias respiratórias - no caso, dos brônquios. O THC poderia auxiliar no tratamento, por sua (moderada) ação anti-inflamatória. Entretanto, estudos já realizados, como o de McFadden et al. (Harrison’s Principles of Internal Medicine, McGraw-Hill, New York, pp. 1047-1053,1991) dão ênfase ao fato de que as drogas anti-inflamatórias já disponíveis são muito mais eficazes do que a marijuana. Nenhum estudo comprovou a eficácia da marijuana contra a asma bronquial.

5) Glaucoma
O liquido fica bloquado atrás da írisO Glaucoma é uma doença causada por um aumento da pressão intraocular (IOP), como um resutado do bloqueio do fluxo do fluido produzido pelo corpo ciliar. Os sintomas são, em geral, o aparecimento súbito de miopia ou hipermetropia associados a dores nos olhos, cabeças e, algumas vezes, náusea e vômitos. Muitas vezes a pessoa afetada percebe discos amarelos quando olha para fontes luminosas. O tratamento envolve drogas que reduzem a pressão intraocular através da contração da pupila (drogas mióticas) ou até mesmo cirurgias - o médico faz uma abertura na região periférica à íris, permitindo a passagem o fluido aquoso.
No caso do tratamento com drogas, a medicina se vale da facilidade que os olhos têm em absorver rapidamente qualquer medicamento. Neste caso, o paciente deve pingar gotas do remédio, diariamente, sobre os olhos.
Um dos efeitos colaterais da marijuana é a vasodilatação intraocular - o que causa a vermelhidão dos olhos. Este efeito justifica o uso da marijuana em ensaios clínicos contra a glaucoma.

olho com glaucomaEntretanto, até agora, apenas ensaios envolvendo o THC foram conduzidos e, novamente, os resultados foram menos satisfatórios daqueles obtidos com drogas convencionais (Pharmacol. Rev. 1986, 38,2).
Apenas um estudo sistemático utilizando a marijuana para o tratamento do Glaucoma já foi publicado (Green K: Marijuana smoking vs cannabinoids for glaucoma therapy. Arch Ophthalmol 116:1433-7, 1998). De acordo com Green, a maconha pode causar uma diminuição de cerca de 25% da pressão intraocular, que dura de 3 a 4 horas.

Green comenta que apenas 60% dos pacientes tiveram estes resultados - os outros não observaram nenhuma diminuição da IOP. De acordo com o autor, o uso da marijuana para este fim não merece crédito, pois além de pouca eficácia ainda tem uma série de efeitos colaterais, como efisêma pulmonar e alteração do estado mental.
Diversos autores sustentam que mais ensaios precisam ser feitos; segundo eles, a marijuana contém muitos outros ingredientes ativos além do THC, que ainda não foram testados. Entretanto, a barreira legal dificulta a realização destes testes. Esta barreira, porém, talvez seja apenas um reflexo de nossa sociedade: numa entrevista conduzida na California, apenas 15% dos pacientes com glaucoma estavam dispostos a tentar o uso da cannabis; os outros 85% preferiam continuar utilizando drogas convencionais.

A maior contribuição da marijuana para a medicina, entretanto, já foi dada: foi graças à cannabis que hoje conhecemos os receptores cannabinóides (CB1 e CB2). Esta descoberta revelou, à medicina, um novo campo de ação, onde novas substâncias sintéticas, capazes de interagir com estes receptores mas sem os efeitos nocivos e indesejáveis do THC, possam ser úteis no tratamento de várias doenças, como as de origem congnitivas, na dor, problemas gastrointestinais e doenças neurológicas. É neste campo que se concentram, hoje, a maior parte dos cientistas que estudam os compostos cannabinóides (leia, como exemplo, o excelente artigo de Piomelli, D. et al. (The endo-cannabinoid system as a target for therapeutic drugs. Trends Pharmacol. Sci. 2000, 21, 218–224). O grande ôba-ôba em torno da liberação terapêutica da marijuana tem pouca relação com a medicina: na verdade, os grupos que defendem esta liberação acreditam em uma descriminação gradual da droga, sendo o hospital apenas o primeiro estágio. A ciência - sem preconceitos - tem mostrado que, além do uso recreacional, a maconha não tem nenhuma outra propriedade que não possa ser substituída e ultrapassada por uma droga sintética não-narcótica. O Professor de Psiquiatria da Harvard Medical School, Lester Grinspoon, resume estas observações: "the psychological effects of cannabis are helpful for patients in dealing with their condition, even without objectively measurable improvement (...) marijuana would fulfil its medical potential in the best way when it is legally available to every adult individual”. Ou seja, isto é mais uma questão de direitos humanos do que de medicina ou ciência.



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Deu no jornal!
Pharmacology, Biochemistry and Behavior 69 (2001) 343–350

Um interessante estudo foi conduzido, num período de dois anos, por pesquisadores do Department of Psychiatry da University of Chicago, IL/US.
Wit et. al. compararam os efeitos sobre náusea, vômito e tontura em pacientes sofrendo quimioterapia de quatro formulações: duas a base de THC, um placebo e uma a base de uma potente droga antiemética convencional, o ondansetron.
Seus resultados - resumidos nas figuras abaixo - são claros: a maconha, muitas vezes, perde até mesmo para o placebo. Em todos os casos o ondansetron se mostrou extremamente mais eficaz.


Número de pacientes (%) que reportaram tontura até 5 horas após administração da droga.

Número de pacientes (%) que reportaram náusea até 5 horas após administração da droga.

Número médio de episódios de vômito reportados até 5 horas após administração da droga.

Além da baixa eficácia terapêutica, os pacientes reportaram desconforto com o uso do THC. A alteração do estado mental foi sentida por mais de 60% dos pacientes que tomaram THC, em contraste aos menos de 2% que receberam
ondansetron. Os autores concluem o trabalho dizendo que o uso terapêutico da marijuana como droga anti-emética deve ser descartado.

Deu no Jornal!
Oral Oncology, Vol. 33, No. 6, pp. 398-401, 1997

Maconha causa câncer de boca!
Carcinoma da mucosa oral é um sério problema de saúde. Um recente trabalho comprovou que o consumo de maconha é um forte fator de risco para o desenvolvimento desta patologia.
N.A. Firth, da School of Dental Science da University of Melbourne, Australia, fez um estudo sistemático com vários pacientes de câncer oral, de vários países. Sua primeira constatação foi de que em países onde o consumo de marijuana era liberado, a incidência deste tipo de câncer era maior.
Segundo o autor, sobre a influência do calor (no baseado ou cachimbo) pode ocorrer a aromatização dos cannabinóides presentes na cannabis. Isto levaria à formação de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, como benzopireno, fenóis, fitosterols e outros compostos, notoriamente carcinogênicos. Estes compostos já foram detectados na fumaça da maconha (Medical Journal of Australia, 1992, 156, 495-7). Também as perigosas nitrosaminas estão presentes na fumaça da maconha - em concentrações maiores do que na fumaça do tabaco.
Os resultados obtidos neste trabalho são alarmantes: dentre os vários pacientes com câncer oral entrevistados, 35% eram usuários frequentes da marijuana. Entretanto, o que mais choca era que a idade média em que estes pacientes usuários adquiriram o câncer oral era muito menor daqueles que não fumavam maconha: 23 anos e 45 anos, respectivamente. O tempo de sobrevida após o diagnóstico era de 2 anos, em média, para usuários de marijuana e de 7 anos para não usuários.

O autor conclui alertando que existe uma forte relação entre o consumo de marijuana e o desenvolvimento de carcinoma oral.


Tudo sobre a maconha

  1. Introdução
Muito se fala em drogas, mas como saber o que é droga? Tudo depende do objetivo a qual se deseja atingir e as formas de uso. Seria a maconha um mal absoluto ou poderia ser usada para fins benéficos como remédio ou como matéria prima para a indústria textil? Muito tem que se discutir sobre isso. Não podemos agir precipitadamente, mas sabemos de antemão que os efeitos da planta no organismo são avassaladores. Apresentamos aqui uma abordagem técnica da planta e uma análise social do seu uso, bem como seus efeitos no homem.


  1. Descrição da Planta
Canabis Sativa
Canabis Sativa
Nome: Maconha
Origem do Nome:
do Quimbundo* MA’KAÑA, que significa erva santa
Nome Cientifico: Cannabis sativa ( lia-se: kânabis sativa)
Família: Canabáceas
Origem: Àsia Central ou Oriente Próximo
Formas de Uso:
Pode ser usada como fumo ou por ingestão
Principio ativo:
THC (Tetrahidrocanabiol)
Descrição:
Planta arbustiva, possui folhas em forma serrilhada e verdes.
Pode atingir ate 2,50 metros de altura.
Status Legal: proibido uso, trafego e comércio.

* Quimbundo: língua do grupo Banto, falada em Angola.


  1. Histórico
A maconha (palavra de origem angolana) é uma das drogas extraídas de plantas mais antigas, os registros mais remotos datam de 2723 a.C., quando foi mencionada na Farmacopéia chinesa. Outras informações históricas evidenciam a existência da maconha em uma cerâmica com marcas da fibra do vegetal encontrada há mais ou menos 4.000 a.C. no norte da China central. Difundiu-se gradualmente para a Índia, Oriente médio, chegando a Europa somente nos fins do século XVIII e início do XIX, passando pelo norte da África e atingindo as Américas. Até então, era utilizada principalmente por suas propriedades têxteis e medicinais. Os romanos valorizam a planta principalmente por causa das resistentes cordas e velas para navio produzidas com sua fibra.

Após a viagem de Vasco da Gama, navegadores portugueses introduziram na África e na Ásia o tabaco. Em troca, seus navios trouxeram escravos acostumados a fumar maconha para o Brasil. Aqui ela também foi utilizada para produção de fibras, na mesma época, nos Estados Unidos, George Washington, Thomas Jefferson e fazendeiros importavam da Europa a semente para o plantio. As carroças dos pioneiros na conquista do oeste americano eram protegidas com lonas feitas a partir das fibras da maconha. Navios portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses dependia tanto das velas e cordas de maconha que seus governos espalharam sementes da planta por todo o planeta.

Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopéia oficial de vários países. Remédios a base de maconha eram disponíveis em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.

Em meados do século XX, porém, os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopéias, sendo proibido por lei em vários países. O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e desde este país fosse dissiminada para o mundo todo.

Seu uso era freqüente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes. Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã. No Brasil a droga é usada principalmente no pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.


  1. Forma de Uso e Outros Narcóticos Derivados da Maconha
Maconha para Fumar
Forma de Maconha para fumar
A maconha é usada como fumo, das folhas e algumas vezes de flores da planta.Também o haxixe, uma outra forma de narcótico é proveniente da maconha com a diferença de que utiliza a resina que cobre as flores e as folhas da parte superior da planta. É um extrato, e por isso o haxixe é muitas vezes mais potente que a maconha comum.
Aspecto do Haxixe
Haxixe
Há algum tempo surgiu uma nova variedade de maconha, chamada "skunk" ou "supermaconha". O skunk é produzido em laboratório com variedades de cânhamo cultivados no Egito, Afeganistão e Marrocos, apresentando um teor de THC ou seja tetrahidrocanabiol, o composto químico responsável princípio tóxico ativo da maconha, de até 33%. Seus efeitos são dez vezes mais potentes que os da maconha comum. No Brasil, o consumo do skunk está crescendo.
Folhas de Maconha
Folhas de Maconha, in natura
Haxixe: droga psicoativa constituída pela resina viscosa e dourada que cobre as folhas da maconha. O efeito máximo da haxixe ocorre 30 minutos após sua absorção, mascado ou fumado.

Skunk: droga psicoativa, derivada da maconha, produzida em laboratório. Contém altas concentrações de THC e efeitos que chegam ser até 10 vezes mais fortes que a maconha comum


  1. Princípio Ativo
THC - Princípio Ativo da Maconha
São mais de 60 substâncias que se encontram presentes na maconha, chamadas pelo nome genérico de canabióides. O tetrahidrocanabiol é a substância preponderante e o principal princípio ativo da maconha. Também é conhecido o delta 9 tetrahidrocanabiol. Sua concentração pode se de 1% a 5% na maconha comum e de até 33% no skunk.


  1. Como a Maconha Age no Organismo
Pontos de Ação da Droga Onde a droga aje


1-Cortéx Frontal.
Controla o comportamento.
A euforia tem origem aqui.

2-Núcleo Acumbens
pode sediar o mecanismo
que causa dependência.

3-Hipocampo
É o setor que guarda informações.
Se atingido perde-se a memória.

4-Cerebelo
Responde às alterações
da coordenação motora.
Quando um psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de um neurotransmissor, provocando as sensações de prazer. À medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo inócua. O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha.
Por isso, acaba aumentando a dose, para uma dose maior para obter o mesmo efeito. A dependência vai assim se agravando continuamente. Como o psicotrópico imita a ação dos neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los. A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. E quando falta o “impostor” químico, o sistema nervoso fica abalado. É o que popularmente se conhece como a síndrome da abstinência da droga.

Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitir um sinal elétrico de um neurônio a outro. Assemelham-se a um eletrólito de bateria, o qual permite que a corrente elétrica circule pelas placas. Depois de retransmitir o sinal elétrico o neurotransmissor normalmente é reabsorvido, para não ficar estimulando indefinidamente os outros neurônios, permitindo que eles possam reagir rapidamente a novas exigências.

As drogas que provocam euforia, como a cocaína, impedem essa reabsorção, de modo que o cérebro fica super-ativado. Não é difícil perceber o estrago que essa intervenção antinatural pode provocar, quando se sabe que num minuto ocorrem trilhões de trocas neuroquímicas no cérebro. Não é sem razão que muitos especialistas em drogas chamam esse estado de "prazer espúrio"... Os especialistas costumam dividir as drogas em dois tipos: leves e pesadas.

Drogas leves são as que causam "dependência psíquica", que significa o desejo irrefreável de consumir a droga. Drogas pesadas são aquelas que além da dependência psíquica causam também a física, ou seja, a sua falta acarreta uma síndrome de abstinência tão violenta, com sintomas físicos tão dolorosos, que o viciado procura desesperadamente pela droga a fim de aliviar a ânsia de consumo. Por essa razão, fumo e álcool podem ser considerados como drogas pesadas, apesar de serem socialmente aceitas.


  1. Efeitos no organismo
Ao chegar na corrente sangüínea, a maconha passa por todos os tecidos do organismo. As sensações experimentadas variam com o teor de Delta 9THC das preparações (que varia de acordo com a parte da planta utilizada e o modo como são preparadas), via de introdução e absorção do Delta 9THC. Os efeitos variam muito de indivíduo para indivíduo e dependem da personalidade e mesmo do grau de experiência do indivíduo no uso da droga.

Os efeitos são os mais diversos possíveis, a seguir listados, estão alguns efeitos e males causados pelo uso da maconha:

A curto prazo, os efeitos comportamentais típicos são:
  1. período inicial de euforia (sensação de bem-estar e felicidade, seguido de relaxamento e sonolência).
  2. quando em grupo, ocorrem risos espontâneos
    (risos e gritos imoderados como reação a um estímulo verbal qualquer).
  3. perda da definição de tempo e espaço: o tempo passa mais lentamente (um minuto pode parecer uma hora ou mais), e as distâncias são calculadas muito maiores do que realmente são (um túnel de 10 metros de comprimento.
    Pôr exemplo pode parecer ter 50 ou 100 metros).
  4. coordenação motora diminuída: perda do equilíbrio e estabilidade postular.
  5. alteração da memória recente.
  6. falha nas funções intelectuais e cognitivas.
  7. maior fluxo de idéias
  8. pensamento mais rápido que a capacidade de falar,
    dificultando a comunicação oral, a concentração, o aprendizado e o desenvolvimento intelectual.
  9. idéias confusas.
  10. aumento da freqüência cardíaca (taquicardia).
  11. hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos).
  12. aumento do apetite (especialmente por doces) com secura na boca e garganta.

Doses mais altas de podem levar a:
  1. alucinações, ilusões e paranóias.
  2. pensamentos confusos e desorganizados.
  3. despersonalização.
  4. ansiedade e angústia que podem levar ao pânico.
  5. sensação de extremidades pesadas.
  6. medo da morte.
  7. incapacidade para o ato sexual (até impotência).
A longo prazo, a extensão dos danos, bem caracterizados,
se restringem ao sistema pulmonar e cardiovascular.

  1. maior risco de desenvolver câncer de pulmão.
  2. diminuição das defesas, facilitando infecções.
  3. dor de garganta e tosse crônica.
  4. aumenta os riscos de isquemia cardíaca.
  5. percepção do batimento cardíaco.

Observação:
A mulher que amamenta passa as toxinas da droga para a criança através do leite materno.


  1. Dados Estatísticos sobre a Maconha
O consumo da maconha começou a subir na década de 1960-70 chegou ao ápice em 1979 depois caiu, voltando a avançar em 1994. Nos EUA em 1992, 4% da população tragava a maconha. Avaliações feitas pela OMS, indica que em 1997 o número de usuários de maconha era de 140 milhões de pessoas. A OMS afirma ainda que o uso da maconha tende a aumentar.


Drogas em Escolas do Rio de Janeiro - RJ
(pesquisa com 3139 alunos de 1º e 2º grau, entre 1997 e 1998)
Droga Idade de Iniciação (anos) Usam com freqüencia (%) Consumo entre universitários (%)
Solventes/inalantes 12,72,818,0
Maconha 13,82,028,0
Cocaína 13,60,63,0
Fonte: Revista GALILEU Nº 08, Editora Globo Ciência 1999


  1. Recuperação de Viciados
A recuperação de viciados da maconha não se difere muito da forma de recuperação de outros viciados. Acontece ainda que geralmente um viciado em maconha, que é uma droga de poder viciativo moderado, também é viciado em outras drogas como a cocaína e álcool.

A dependência é considerada como doença, e cada caso é um caso único a ser tratado. As atividades de recuperação de viciados concentram-se em clinicas especializadas, onde o viciado não tem contato com a droga. Em clínicas especializadas os doentes passam por uma análise histórica e depois são tratados e acompanhados por psicólogos, psiquiatras e médicos. Há também as clínicas localizadas no campo em forma de comunidades. Ali os viciados estão em contato com outros viciados com o mesmo problema.

Os viciados tem acompanhamento médico e religioso, e se curam conforme eles mesmo dizem, pela força da fé. Nas clínicas campestres pessoas em recuperação passam por aconselhamento e são instruídos a trabalhar em atividades agrícolas.

Muitos trabalhos dessa forma tem conseguido bons resultados, como por exemplo a comunidade Betânia em Santa Catarina e a comunidade do Padre Aroldo. Há também os que procuram em igrejas evangélicas de diferentes denominações para se livrar do vício e obtém resultados positivos.


  1. Conclusão
É impossível dizer que a maconha não faz mal. É um vício, considerado por muitos como doença. Quem está vendo de fora pouco sabe sobre ela. Quem já viveu uma experiência com maconha tem outra visão. Por melhor que seja o prazer causado pela inalação de um cigarro feito de maconha ele com certeza não trará bons resultados no futuro.

A maconha chega ate o usuário pelo traficante, que repassa a droga a um conhecido, que por sua vez oferece a um não viciado. Ai está a dinâmica de iniciação do novo viciado, em geral fumante. São inúmeras as consequências maléficas do uso da maconha, que vão desde baixo rendimento nos estudos até alterações hormonais. O vício sempre é mais forte e pensando no prazer ou por vício o usuário ser esquece das consequências a longo prazo e reincide novamente.

Então é correr atrás do prejuizo, tentar se livrar do vício da maconha, que geralmente leva a outros vícios, pois onde há maconha quase sempre também há outras drogas. Do ponto de vista técnico, a maconha age no cérebro alterando sua função, causando várias conseqüências. Há portanto muita coisa a dizer e se fazer para se minimizar o uso da maconha. Devemos começar por entender como ela age e seus efeitos.Instruir as novas gerações para que não caiam no vicio.

Argentina descriminaliza maconha para uso pessoal


A Suprema Corte de Justiça da Argentina declarou inconstitucional, nesta terça-feira, a penalização de adultos que estejam portando “pouca quantidade” de maconha “para uso pessoal e sem riscos para terceiros”.

Por unanimidade, os sete juízes do mais alto tribunal argentino entenderam que essa é uma questão de privacidade e escapa à possibilidade de punição.

Os argumentos usados na decisão – com mais de oitenta páginas – foram a “proteção da intimidade, autonomia pessoal e a necessidade de não criminalizar quem é um doente e já é vítima do consumo da droga”.

A decisão da Suprema Corte foi tomada a partir da análise do caso de cinco jovens que foram presos na cidade argentina de Rosário, no Estado de Santa Fé (nordeste do país), em 2006, com entre um e três cigarros de maconha.

A lei em vigor previa que, em casos assim, as pessoas cumprissem dois anos de prisão.

Os juízes da Suprema Corte, no entanto, absolveram os jovens e declararam inconstitucional a punição ao consumo de maconha em locais privados.

Tráfico

Os magistrados, no entanto, ressalvaram que não decidiram pela “descriminalização” geral do consumo de maconha e outras drogas.

Os juízes defenderam ainda a “busca” e “condenação” dos traficantes de drogas.

“Pedimos a todos os poderes públicos que garantam uma política de Estado contra o tráfico ilícito de drogas e que se adotem medidas de saúde preventivas, com informação e educação que desestimulem o consumo”.

Os juízes sugeriram que estas políticas devem ser orientadas aos menores de idade.

Um dos ministros da Suprema Corte, Carlos Fayt, veterano na casa, afirmou, nesta terça-feira, que tinha mudado seu parecer, já que em 1990 votou pela criminalização do consumo de maconha.

“O tempo e a realidade de hoje me fizeram pensar diferente”, disse Fayat.

Segundo o magistrado, o melhor é travar “uma guerra contra os narcotraficantes, os verdadeiros inimigos”.

Polêmica

A decisão da Suprema Corte dividiu opiniões. Setores da Igreja Católica criticaram a medida.

“A droga é sinômimo de morte e a Igreja está a favor da vida”, diz um comunicado divulgado após um encontro da Pastoral contra Drogas e Dependência no final de semana.

Já o jurista Felix Loñ afirmou que os que consomem narcóticos não são “os culpados”.

“É preciso resgatar os jovens que se drogam. Combater o narcotráfico, mas não os consumidores. Estes são vítimas.”


MACONHA

Maconha é a droga ilegal mais usada hoje em dia. Feita de folhas secas de Cannabis Sativa , existem intenções até da legalização da droga , pois segundo defensores ela é tão nociva quanto o alcoól , e segundo alguns até menos nociva que isso. Muito popular e difundida em todas as camadas da sociedade , a Maconha é facilmente achada na noite.

Seu uso é polêmico no mundo inteiro. Existem países que liberam o uso da droga , com algumas restrições. Outros combatem extensivamente o seu uso. Devido a sua popularidade e conhecida por uma infinidade diferente de nomes , tais como ; Marijuana, Mary Jane , Maca... e normalmente usada em cigarros enrolados feitos a mão ou em cachimbos. É uma substância semelhante ao Tabaco , e dependendo do tipo de Cannabis usada no cultivo , sua potência e sabor difere. As mais populares são as de alto teor de FHC , a substáncia química responsável pelo efeitos psico-ativos.

A Maconha possuí toxinas cancerígenas que ficam armazenadas nas células dos usuários por muitos meses. Os usuários de Maconha apresentam os mesmos problemas de saúde que os fumantes de Tabaco , tais como Bronquite , Efisema pulmonar e Bronquite asmática. Muito dos efeitos da Maconha também são expansão do diâmetro do coração , secura bocal , avermelhamento dos olhos , capacidades motoras e concentração afetadas e fome frequênte. O uso extenuado causa danos aos pulmões e aos sistema reprodutor e também ao sistema imunológico. Ocasionalmente ocorrem alucinações , fantasias e paranóia.

COCAÍNA

Cocaína é o mais potente estimulante de origem natural . É extraída diretamente das folhas de coca , das quaís os nativos originários dos Andes costumavam mascar e preparar chás.

A Cocaína ilegal é normalmente distribuída no formato de talco branco cristalíno. A adulteração da Cocaína atrávez de sua diluição com outras substáncias aumenta seu volume e sua utilização. Cocaína é normalmente administrada cheirando , injetando ou fumando (incluíndo o Crack).

Cheirarando a droga , ela é absorvida pela corrente sanguínea atravéz das veias nasais. Injetando o usuário aplica a droga diretamente na corrente sanguínea atravéz de seringas. Fumar envolve a inalação do vapor de coca direto para os pulmões , onde absorção joga a droga diretamente para a corrente sanguínea tão rápido como se estivesse sendo injetada.

Crack

"crack" é o nome dado para a cocaína que foi processada de maneira que possibilite o fumo imediato. O tráfico vende a pedra de crack em doses pequenas e baratas , assim o crack é comum nas camadas mais pobres da sociedade. Fumar crack , faz com que grandes quantidades de cocaína sejam despejadas no pulmão , produzindo efeito comparável ao uso injetável. Esses efeitos são sentidos imediatamente ápos o uso , e são muito intensos mas a "onda" dura pouco tempo.

O risco de se usar cocaína é imenso , não importando a maneira de consumo. Doses excessivas de cocaína levam a morte atravéz de falhas respiratórias , sufocamento , hemorragia cerebral e parada cardíaca. Não existe antídoto específico para overdose de cocaína. Evidências tendem a mostrar que os riscos podem ser maiores para os usuários que injetam ou fumam a droga do que os que cheiram. Os que fumam a droga sofrem de problemas respiratórios agudos incluindo tosse , falta de ar , fortes dores no peito seguidos de traumas no pulmão e sangramentos. Os que injetam correm o risco de usar agulhas infectadas com o vírus HIV , já que a perda de noção de realidade os faz cometerem atos que possívelmente não fariam. A falta da droga também faz com que o viciado não consiga raciocinar direito , tornando-o até violento. Assim como a maioria das drogas , a cocaína recebe apelidos , o mais popular e atual nome da "branquinha" é "brizola". É comum também os produtores de drogas e traficantes misturarem a cocaína com talco , cal , e qualquer outro pó que disfarce a substância , com o objetivo de diminuir os custos e aumentar os lucros. Tal atitude aumenta mais ainda os riscos de incidentes para os usuários.

Lsd, maconha e loucura


Do prazer efêmero ao aniquilamento físico e espiritual


Jovem de cabelos compridos,1942. MAX ERNST.

A Família enferma, 1920. LASAR SEGALL.

Jovem de cabelos compridos,1942. MAX ERNST.

A Família enferma, 1920. LASAR SEGALL.

Comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.

Podemos distinguir dois grupos de drogas: as chamadas soft drugs (drogas "leves") e as hard drugs (drogas "pesadas"); assim, as drogas "pesadas" caracterizam-se pelo efeito potente, e por isto, podem levar a uma dependência predominantemente física, em que o corpo físico necessita de doses cada vez maiores do preparado e cuja suspensão produz fenômenos de abstinência. Já as drogas "leves" não produzem, em geral, os fenômenos dramáticos de abstinência e não levariam a uma tendência a aumentar a dose, isto é, o que chamamos dependência predominantemente psíquica.

Dentre as hard drugs podemos citar as drogas chamadas opióides, como a morfina, a heroína e a metadona. E como exemplos de soft drugs temos o LSD25 e a maconha.

As drogas "leves". Atualmente, muitos usuários de drogas, jovens em geral, usam a maconha de forma moderada e, por isso, acreditam que ela não lhe traria prejuízos psíquicos ou físicos... É comum, hoje, alguns jovens dizerem: –- Eu gosto de fumar maconha, sinto prazer, fumo de vez em quando e não vejo nenhum mal nisso!... Talvez, o que estes jovens não saibam é que as chamadas drogas "leves" - apesar de não serem muito potentes se comparadas às hard drugs - são capazes de levar a graves alterações caracterológicas e, muitas vezes, à loucura, isto é, a estados psicóticos irreversíveis.

LSD e esquizofrenia. Apesar de ser pouco consumido pelos jovens brasileiros, o LSD25 (dietilamida do ácido lisérgico), produz efeitos muito semelhantes aos da maconha, embora muito mais agudos. O LSD25 foi o principal ponto de partida para o tratamento farmacológico, atual, das esquizofrenias, através do conhecimento dos chamados efeitos psicotomiméticos, isto é, dos efeitos imitadores da loucura; o LSD25 provoca o que se denominava modelo de psicose... Uma pessoa que fizer uso de LSD25 apresentará sintomas muito semelhantes aos das esquizofrenias e as fórmulas estruturais dos alucinógenos são muito semelhantes às aminas cerebrais e, como hoje se sabe, a dopamina (uma amina cerebral) está diretamente envolvida na bioquímica cerebral dos esquizofrênicos. Comparando-se as fórmulas dos alucinógenos com as das aminas cerebrais, observa-se que há grande semelhança estrutural e, considerando que tais substâncias agem nos receptores da célula cerebral (neurônio), chegou-se à conclusão de que há na esquizofrenia uma disfunção nos receptores dos neurônios pós-sinápticos; portanto, se a fórmula química do LSD25 e da aminas cerebrais são semelhantes, é óbvio que agem semelhantemente nos receptores cerebrais.

Então, cabe a pergunta: o LSD25 pode causar a esquizofrenia?...

Obviamente, as esquizofrenias ocorrem com muito maior freqüência em pessoas que não são usuárias de droga, logo, as drogas não são a causa da doença. Contudo, podemos afirmar com certeza que uma "viagem" provocada pelo LSD25 pode desencadear a esquizofrenia. A esquizofrenia é uma das mais graves, talvez a mais grave, das doenças mentais... Enfim, uma "viagem de ida sem volta", embora o tratamento possa deter a evolução do processo.

Por que afirmamos que a esquizofrenia é uma "viagem sem volta"? Porque após cada crise de um esquizofrênico, ele apresentará seqüelas permanentes na sua personalidade, o que denominamos defeito ou estado residual esquizofrênico, em que a pessoa fica com quase total alheamento do meio exterior (autismo), com graves alterações qualitativas na afetividade, no pensamento e nas ações, tornando-se uma caricatura de um ser humano, pois perde o que há de mais importante no homem: o livre-arbítrio; há uma vertigem da liberdade, como diria o filósofo SÖREN KIERKEGAARD. Em resumo: a esquizofrenia é uma doença que pode levar a um quase completo aniquilamento espiritual da pessoa.

Então, outra pergunta que se impõe é: valeria à pena o êxtase, o prazer momentâneo, efêmero, de uma "viagem" proporcionada pelo uso de LSD25 ? Embora as esquizofrenias tenham um componente genético importante, podemos dizer que todos somos passíveis de adoecer de esquizofrenia, pois, às vezes, a expressividade genética não é imediata; por exemplo: se eu sou esquizofrênico, meus filhos e netos podem não apresentar a doença, mas nada impede que meus bisnetos adoeçam de esquizofrenia... Portanto, não sabemos se somos predispostos à esquizofrenia ou não!...

Maconha e esquizofrenia. Não é aconselhável que ninguém faça uso de LSD25 , mesmo ocasionalmente, pois as esquizofrenias surgem como "um raio em céu claro", isto é, a "tempestade" surge sem nenhum sinal precursor. E a maconha poderia também, como o LSD25, propiciar os mesmos riscos? Diremos que sim, a nossa experiência clínica confirma isso... Embora a fórmula química da maconha seja diferente daquela do LSD25 é provável que a maconha altere funcionalmente as aminas cerebrais, nos neurônios. Assim, o delta-9-tetrahidrocannabinol (principal substância ativa da maconha) é capaz de provocar os mesmos sintomas produzidos pelo LSD25, só que em grau menor; a esse respeito, ensina o prof. holandês VAN DEN BERG:

A ação do LSD "parece-se muito com a da marijuana [maconha], mas é mais intensa, mais caprichosa, mais psicótica e tem conseqüências mais duradouras" (J. H. VAN DEN BERG. Pequena Psiquiatria. Edit. Mestre Jou, São Paulo, 1970, p. 143).

Maconha e Espírito. É importante ressaltar-se que não há provas de que a maconha altere, fisicamente, o perispírito do usuário (as pesquisas sobre isso ainda são muito incipientes); mas é indubitável o aniquilamento espiritual dos usuários contumazes: embotamento ético-social (desrespeito pelas normas sociais e desamor crescente àqueles que o rodeiam) e síndrome amotivacional ( desinteresse e falta de motivação quase total pelas atividades quotidianas); assim, a pessoa permanece completamente impossibilitada de cumprir seu compromissos reencarnatórios. Além disso, a pessoa aumentará seus débitos reencarnatórios em função de algumas horas de prazer (com evidente fuga da realidade) e, certamente aqui voltará, provavelmente com provas muito duras, cáusticas mesmo, pois insidiosamente essas pessoas vão caindo "nos braços de MORFEU", só que neste caso MORFEU não é o mito do sono, propriamente dito, e sim de um sono espiritual, da invigilância. JESUS disse: Vigiai e orai; este preceito tem múltiplas aplicações...

Que o jovem siga esse conselho de JESUS - mesmo que use drogas só ocasionalmente -, posto que o usuário de drogas está preocupado unicamente com os prazeres sensuais, da carne, esquecendo-se dos seus deveres espirituais como filhos, como irmãos, como pais, como seres humanos enfim, em toda sua inteireza espiritual. Muitas vezes esses jovens não praticam o mal inicialmente, mas estarão perdendo um precioso tempo ao se distanciarem da família, do bem que poderiam trazer à Sociedade... Como disseram os Espíritos Superiores sobre a vida contemplativa:

"(...) se não fazem o mal, também não fazem o bem e são inúteis. Aliás, não fazer o bem já é um mal".(cf. resp. à questão 657 de O Livro dos Espíritos de ALLAN KARDEC, ab initium) e o complemento disso está na resposta à questão 769 (op. cit.):

"(...) Deus não pode considerar agradável uma vida em que o homem se condena a não ser útil a ninguém".

Epílogo. Temos plena certeza de que uma pessoa que tivesse a convicção dos princípios doutrinários espíritas, que fosse levada circunstancialmente ao uso de drogas, não continuaria esse uso, pois no silêncio do seu quarto, ao realizar a sua prece, perguntaria: qual o bem que fiz hoje? Fui útil a alguém?...

Na prevenção do uso de drogas é extremamente importante a harmonia familiar, isto é destacado por todos. Em contrapartida, comportamentos aparentemente despreocupados de um jovem, tolerados socialmente por algumas pessoas, podem conduzir a graves distúrbios desestruturantes de sua saúde física e mental e, secundariamente, da sua própria família.

Em síntese, além dos riscos reais proporcionados pelo uso de drogas, os prazeres efêmeros daí advindos são nulos ante os prazeres espirituais, permanentes.

Marcha da Maconha Salvador – LIBERADA!

Marcha da Maconha Salvador – LIBERADA!

08/09/09


No último dia 1 de setembro, uma semana antes do Dia da Independência do Brasil, os integrantes da Ananda, grupo que organiza a Marcha da Maconha em Salvador, tiveram seu status de ativistas reconhecido. O Habeas Corpus (34358-4/2009) do grupo, que havia sido impetrado no dia 29 de maio, foi concedido por unanimidade em um julgamento ocorrido na 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia.

Na sexta-feira a Ananda divulgará a nova data do Evento e iniciará a entrega dos Ofícios para assegurar a infraestrutura necessária para sua realização. Em breve teremos mais notícias sobre a decisão histórica e publicaremos uma versão em PDF do documento. Também divulgaremos uma agenda das Oficina de Arte preparatórias para a Marcha.

É isso aí mesmo pessoal, a Marcha em Salvador está liberada! Todos podem ir se preparando pois em breve saíremos às ruas para manifestar nossas opiniões e idéias sobre esse tema tão polêmico que é a Cannabis sativa e seus usos.

Kaká participa de evento de reconstrução da Renascer

O jogador de futebol Kaká participou ontem (7), ao lado da bispa Sônia e do apóstolo Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, da cerimônia de lançamento da reconstrução do templo do Cambuci (centro de São Paulo). O teto do prédio desabou em 18 de janeiro deste ano, matando nove pessoas e deixando 106 feridos.

Na ocasião, uma escola e oito casas foram interditadas. Segundo laudo do IC (Instituto de Criminalística), o acidente foi resultado de uma falha em uma reforma feita nove anos antes. Uma das sustentações do telhado não recebeu o reforço metálico previsto no projeto. No inquérito, a Polícia Civil classificou a igreja como "negligente".

O evento, que comemorou o início das obras, aconteceu no espaço do antigo templo. Cerca de mil fiéis, segundo a organização, participaram da celebração. Kaká, que se casou no local em 2005, cantou no culto.

A bispa Sônia chorou ao se dirigir à multidão. Ela foi ovacionada ao lançar a pedra fundamental. "Esta igreja vai ser uma marca no Brasil. Vamos reconstruir!", disse.

Segundo a assessoria de imprensa da Renascer, a previsão é que a obra termine no início de 2011, com recursos vindos de doações e de eventos. O valor total não foi informado.

Há 15 dias, a Secretaria Municipal da Habitação liberou a reconstrução. O órgão disse que o projeto aprovado trazia as características do prédio anterior, uma exigência da pasta.

CUIDADO: MACONHA É O PRIMEIRO PASSO PARA SE IR MAIS CEDO PARA O CAIXÃO!

Maconha e THC

Maconha — Sinônimos: HASHISH; BANGH; GANJA; DIAMBA; MARIJUANA; MARIHUANA

THC (TETRAHIDROCANABINOL)

Um pouco de história

A maconha é o nome dado aqui no Brasil a uma planta chamada cientificamente de Cannabis sativa. Em outros países ela recebe diferentes nomes como os mencionados no título deste folheto. Ela já era conhecida há pelo menos 5.000 anos, sendo utilizada quer para fins medicinais quer para "produzir risos". Talvez a primeira menção da maconha na nossa língua tenha sido um escrito de 1548 onde está dito no português daquela época: "e já ouvi a muitas mulheres que, quando hião ver algum homem, para estar choquareiras e graciosas a tomavão". Até o início do presente século, a maconha era considerada em vários países, inclusive no Brasil, como um medicamento útil para vários males. Mas também era já utilizada para fins não médicos por pessoas desejosas de sentir "coisas diferentes", ou mesmo utilizavam-na abusivamente. Conseqüência deste abuso, e de um certo exagero sobre os seus efeitos maléficos, a planta foi proibida em praticamente todo mundo ocidental, nos últimos 50-60 anos. Mas atualmente, graças as pesquisas recentes, a maconha (ou substâncias dela extraídas) é reconhecida como medicamento em pelo menos duas condições clínicas: reduz ou abole as náuseas e vômitos produzidos por medicamentos anticâncer e tem efeito benéfico em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões ou "ataques"). Entretanto, é bom lembrar que a maconha (ou as substâncias extraídas da planta) têm também efeitos indesejáveis que podem prejudicar uma pessoa.

O THC (tetrahidrocanabinol) é uma substância química fabricada pela própria maconha, sendo o principal responsável pelos efeitos da planta. Assim, dependendo da quantidade de THC presente (o que pode variar de acordo com o solo, clima, estação do ano, época de colheita, tempo decorrido entre a colheita e o uso) a maconha pode ter potência diferente, isto é, produzir mais ou menos efeitos. Esta variação nos efeitos depende também da própria pessoa que fuma a planta: todos nós sabemos que há grande variação entre as pessoas; de fato, ninguém é igual a ninguém! Assim, a dose de maconha que é insuficiente para um pode produzir efeito nítido em outro e até uma forte intoxicação num terceiro.

Efeitos da maconha

Para bom entendimento é melhor dividir os efeitos que a maconha produz sobre o homem em físicos (ação sobre o próprio corpo ou partes dele) e psíquicos (ação sobre a mente). Esses efeitos físicos e psíquicos sofrerão mudanças de acordo com o tempo de uso que se considera, ou seja, os efeitos são agudos (isto é, quando decorre apenas algumas horas após fumar) e crônicas (conseqüências que aparecem após o uso continuado por semanas, ou meses ou mesmo anos).

Os efeitos físicos agudos são muito poucos: os olhos ficam meio avermelhados (o que em linguagem médica chama-se hiperemia das conjuntivas), a boca fica seca (e lá vai outra palavrinha médica antipática: xerostomia — é o nome difícil que o médico dá para boca seca) e o coração dispara, de 60-80 batimentos por minuto pode chegar a 120-140 ou até mesmo mais (é o que o médico chama de taquicardia).

Os efeitos psíquicos agudos dependerão da qualidade da maconha fumada e da sensibilidade de quem fuma. Para uma parte das pessoas os efeitos são uma sensação de bem-estar acompanhada de calma e relaxamento, sentir-se menos fatigado, vontade de rir (hilariedade). Para outras pessoas os efeitos são mais para o lado desagradável: sentem angústia, ficam aturdidas, temerosas de perder o controle da cabeça, trêmulas, suando. É o que comumente chamam de "má viagem" ou "bode".

Há ainda evidente perturbação na capacidade da pessoa em calcular tempo e espaço e um prejuízo na memória e atenção. Assim sob a ação da maconha a pessoa erra grosseiramente na discriminação do tempo tendo a sensação que se passaram horas quando na realidade foram alguns minutos; um túnel com 10 metros de comprimento pode parecer ter 50 ou 100 metros.

Quanto aos efeitos na memória eles se manifestam principalmente na chamada memória a curto prazo, ou seja, aquela que nos é importante por alguns instantes. Dois exemplos verídicos auxiliam a entender este efeito: uma telefonista de PABX em um hotel (que ouvia um dado número pelo fone e no instante seguinte fazia a ligação) quando sob ação da maconha não era mais capaz de lembrar-se do número que acabara de ouvir. O outro caso, um bancário que lia numa lista o número de um documento que tinha que retirar de um arquivo; quando sob ação da maconha há havia esquecido do número quando chegava em frente ao arquivo.

Pessoas sob esses efeitos não conseguem, ou melhor, não deveriam executar tarefas que dependem da atenção, bom senso e discernimento, pois correm o risco de prejudicar outros e/ou a si próprio. Como exemplo disso: dirigir carro, operar máquinas potencialmente perigosas.

Aumentando-se a dose e/ou dependendo da sensibilidade, os efeitos psíquicos agudos podem chegar até a alterações mais evidentes, com predominância de delírios e alucinações. Delírio é uma manifestação mental pela qual a pessoa faz um juízo errado do que vê ou ouve; por exemplo, sob ação da maconha uma pessoa ouve a sirene de uma ambulância e julga que é a polícia que vem prendê-la; ou vê duas pessoas conversando e pensa que ambas estão falando mal ou mesmo tramando um atentado contra ela. Em ambos os casos, esta mania de perseguição (delírios persecutórios) pode levar ao pânico e, conseqüentemente, a atitudes perigosas ("fugir pela janela", agredir as pessoas conversando em "defesa" antecipada contra a agressão que julga estar sendo tramada). Já a alucinação é uma percepção sem objeto, isto é, a pessoa pode ouvir a sirene da polícia ou vê duas pessoas conversando quando não existe quer a sirene quer as pessoas. As alucinações podem também ter fundo agradável ou terrificante.

Os efeitos físicos crônicos da maconha já são de maior monta. De fato, com o continuar do uso, vários órgãos do nosso corpo são afetados. Os pulmões são um exemplo disso. Não é difícil imaginar como irão ficar estes órgãos quando passam a receber cronicamente uma fumação que é muito irritante, dado ser proveniente de um vegetal que nem chega a ser tratado como é o tabaco comum. Esta irritação constante leva a problemas respiratórios (bronquites), aliás como ocorre também com o cigarro comum. Mas o pior é que a fumação de maconha contém alto teor de alcatrão (maior mesmo que na do cigarro comum) e nele existe uma substância chamada benzopireno, conhecido agente cancerígeno; ainda não está provado cientificamente que a pessoa que fuma maconha cronicamente está sujeita a contrair câncer dos pulmões com maior facilidade, mas os indícios em animais de laboratório de que assim pode ser são cada vez mais fortes.

Outro efeito físico adverso (indesejável) do uso crônico da maconha refere-se à testosterona. Esta é o hormônio masculino; como tal confere ao homem maior quantidade de músculos, a voz mais grossa, a barba, também é responsável pela fabricação de espermatozóides pelos testículos. Já existem muitas provas que a maconha diminui em até 50-60% a quantidade de testosterona. Conseqüentemente o homem apresenta um número bem reduzido de espermatozóides no líquido espermático (medicamente esta diminuição chama-se oligospermia) o que leva a uma infertilidade. Ou seja, o homem terá mais dificuldade de gerar filhos. Este é um efeito que desaparece quando a pessoa deixa de fumar a planta. É também importante dizer que o homem não fica impotente ou perde o desejo sexual; ele fica somente com uma esterilidade, isto é, fica incapacitado de engravidar sua companheira.

Há ainda a considerar os efeitos psíquicos crônicos produzidos pela maconha. Sabe-se que o uso continuado da maconha interfere com a capacidade de aprendizagem e memorização e pode induzir um estado de amotivação, isto é, não sentir vontade de fazer mais nada, pois tudo fica sem graça e importância. Este efeito crônico da maconha é chamado de síndrome amotivacional. Além disso, a maconha pode levar algumas pessoas a um estado de dependência, isto é, elas passam a organizar sua vida de maneira a facilitar o uso de maconha, sendo que tudo o mais perde o seu real valor.

Finalmente, há provas científicas de que se a pessoa tem uma doença psíquica qualquer, mas que ainda não está evidente (a pessoa consegue "se controlar") ou a doença já apareceu, mas está controlada com medicamentos adequados, a maconha piora o quadro. Ou faz surgir a doença, isto é, a pessoa não consegue mais "se controlar" ou neutraliza o efeito do medicamento passando a apresentar de novo os sintomas da doença. Este fato tem sido descrito com freqüência na doença mental chamada esquizofrenia.

Em um levantamento feito entre os estudantes do 1º e 2º graus das 10 maiores cidades do país, em 1997, 7,6% declararam que já haviam experimentado a maconha e 1,7% declararam fazer uso de pelo menos 6 vezes por mês