Friday, August 7, 2009

PM apreende meia tonelada de maconha na Rocinha e busca cemitério clandestino

PM apreende meia tonelada de maconha na Rocinha e busca cemitério clandestino

Policiais militares realizam nesta sexta-feira uma operação na favela da Rocinha (zona sul do Rio) para localizar depósitos de drogas e armas, além de cemitérios clandestinos. Durante a operação, a polícia encontrou meia tonelada de maconha. Quatro pessoas foram detidas para averiguação.

No início da manhã, houve troca de tiros entre a polícia e traficantes. Comerciantes locais fecharam as lojas com medo do tiroteio, que durou cerca de 20 minutos. De acordo com a Secretaria Estadual de Obras, cerca de 700 operários do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também paralisaram o trabalho e foram dispensados por causa da operação policial.

Os PMs tentam localizar cemitérios clandestinos na favela. Segundo informações do setor de inteligência da PM, o corpo da engenheira Patrícia Amieiro, 24, desaparecida há pouco mais de um ano, estaria enterrado em uma das localidades da comunidade.

Cerca de 60 homens do Bope (Batalhão de Operações Especiais, da PM) estão na favela desde as 6h, com o apoio de policiais militares do 23 Batalhão (Leblon), da Companhia de Cães e do BPFMA (Batalhão de Polícia Florestal e do Meio Ambiente). A polícia ainda conta com dois helicópteros e dois veículos blindados.

Até o começo da tarde, além da droga, os policiais haviam apreendido um carro roubado, uma espada, munições e fogos de artifício. A PM informou que fechou uma central de TV a cabo clandestina na favela.

Crime

O desaparecimento da engenheira Patrícia Amieiro ainda é considerado um mistério pela Polícia Civil. Dias após o sumiço, policiais encontraram o carro de Patrícia no canal de Marapendi, que fica na entrada da Barra, com marcas de tiros no chão.

Uma das suspeitas levantadas nas investigações é de que policiais tenham se assustado quando o carro capotou e atiraram nele, matando a engenheira e, depois, escondido seu corpo. A hipótese, porém, não foi comprovada.

No dia 24 de junho, o delegado substituto da delegacia de Homicídios do Rio na época, Ricardo Barbosa, afirmou que, segundo as investigações, os tiros que atingiram o carro da engenheira partiram das armas de dois PMs do Batalhão do Recreio dos Bandeirantes. Na ocasião, Barbosa disse à Folha Online que um pedaço do fragmento encontrado no veículo, localizado no canal de Marapendi, é compatível com um dos projéteis dos policiais.

"Foi uma má abordagem policial, mas o porquê deles terem atirado vai ser respondido durante a instrução processual. O fato é que eles atiraram. Foi confirmado que eles atiraram, mas eles negam tudo. As investigações apontam que dois teriam efetuado os disparos porque são calibres diversos", disse o delegado.

Clinica militar chinesa para tratamento de viciados em internet causa morte

China investiga tratamento para viciados em internet após morte

A polícia chinesa está investigando um campo de treinamento semimilitar para viciados em internet, depois de um adolescente morrer, aparentemente após ser violentamente agredido, informou a agência Xinhua nesta quinta-feira (6).

Quatro instrutores do acampamento foram detidos por causa da morte de Deng Senshan, 15, que tinha ferimentos no corpo todo, disse uma fonte oficial à imprensa chinesa.


Usuários navegam na internet em LAN house chinesa; polícia está investigando clínica que causou a morte de um adolescente
Usuários navegam na internet em LAN house chinesa; polícia está investigando clínica que causou a morte de um adolescente

A China tem por volta de 300 milhões de usuários da internet, maior contingente mundial, e há mais de 200 organizações que oferecem tratamento para distúrbios ligados ao uso excessivo, especialmente por parte de jovens que buscam um escape em relação às fortes expectativas depositadas neles por seus pais.

Muitos acampamentos para os viciados estão imbuídos de uma atmosfera militar. Os pacientes são forçados a substituir as várias horas diante do computador por atividades físicas intensas ou outros "tratamentos" mais radicais.

Em julho, a China proibiu a terapia com eletrochoques no combate ao vício da internet, depois de a imprensa noticiar que um psiquiatra havia dado choques em quase 3.000 adolescentes.

Tao Ran, diretor da primeira clínica chinesa para dependentes da internet, criticou em entrevista à Xinhua "a falta de padrões de diagnósticos e diretrizes de tratamento".

"A tragédia não é acidental. A maioria dos acampamentos de reabilitação adotam um treinamento militar, mas muitos adolescentes viciados em Internet não conseguem lidar bem com isso. Então isso vem acompanhado de conflitos e violência."

"Big Brother" on-line desafia novos escritores

"Big Brother" on-line desafia novos escritores

Com base em duas premissas --a primeira, de que os reality shows provocam certa repulsa, mas inevitavelmente fisgam um número assustador de telespectadores; e a segunda, de que o computador é um vício contemporâneo opressor, porém imprescindível para a cultura do século 21--, o escritor e jornalista cipriota Constantine Markides, 32, lançou um projeto inovador em que mistura esses tais "pecados" do novo mundo com uma espécie de "absolvição" invocada desde os primórdios da humanidade: a literatura.

Markides é o fundador do blog Fourth Night/ Fourth Fiction (www.fourthnight.com), que "hospeda" o que ele considera ser o primeiro reality show literário da rede --outras ideias similares já foram tentadas, mas não com a mesma concepção, tampouco com os mesmos critérios. Da competição, que foi lançada oficialmente na terça, participam 12 escritores que não são celebridades e usam pseudônimos para evitar reações de amor e ódio dos fãs.

Reprodução
Uma das cenas de vídeos do blog Fourth Fiction; "Big Brother" on-line desafia novos escritores
Cena de vídeo do blog Fourth Fiction; "Big Brother" on-line desafia novos escritores

O projeto termina no dia 4 de dezembro, quando apenas um escritor terá sobrevivido às vorazes críticas e "paredões" dos leitores desse "Big Brother" cibernético. As postagens dos votos para eliminação vão ocorrer nos dias 4, 14 e 24 de cada mês. Ao final da competição, o vencedor terá escrito 12 capítulos de uma ficção.

O jornalista, graduado em filosofia pela Columbia University e com mestrado em literatura inglesa pela University College of London (UCL), disse à Folha que trabalha na concepção do projeto há um ano e meio.

"Essa ideia surgiu quando eu terminava o meu mestrado na UCL, com ênfase na literatura revolucionária do século 20. Desde então, comecei a pensar em como a literatura se desenvolve e como será revolucionária -no sentido de rupturas, alternativas, de novas abordagens- ao longo do século 21", afirmou.

Segundo ele, a cultura deste século é extremamente interativa e qualquer pessoa envolvida no mercado literário -sejam editoras ou escritores- está ciente de que é preciso criar novas maneiras de tornar a literatura disponível via on-line. O voyeurismo e o exibicionismo dos reality shows, assim como as novas tecnologias, afirma Markides, estão introjetados na cultura contemporânea. "Comecei a pensar em como a literatura pode e está sendo absorvida por tudo isso", explicou o blogueiro.

"Se formos honestos, temos que admitir que, embora os reality shows sejam ridículos e detestáveis, eles inevitavelmente nos fascinam. Eles são a versão moderna das lutas de gladiadores romanos. O ser humano tem esse desejo inconfesso de ver pessoas sendo atiradas aos leões. É por isso que os reality shows são repletos de manipulação, jogos sexuais, narcisismo, competição e fofocas", disse Markides.

"O Fourth Fiction, apesar do tom sarcástico em relação aos reality shows, também tem como intenção entender o nosso desconforto em como nós gastamos o nosso tempo com as nossas próprias invenções."

Nem um tostão

Aos leitores, Markides promete diversão genuína e a chance de deixar a imaginação viajar para além das telas do computador. Aos escritores, nada. Eles não vão receber um tostão pelo projeto --estão fazendo isso pelo prazer de escrever e pelo interesse em testar uma nova forma de comunicação. Nenhuma promessa miraculosa foi feita. Há contatos com editoras em andamento, mas o blogueiro, honestamente, não vende um peixe maior que o pescado.

"Existe o interesse de editoras em publicar o romance do vencedor, mas isso vai depender do número de acessos e da receptividade do projeto", admite o jornalista.

O projeto também abrangeu testes no Twitter. De 4 de julho até hoje, o criador do projeto permitiu que os escritores usassem o Twitter (@fourthfiction) para se apresentar aos leitores. Eles também usaram a rede de microblogs para responder a dez desafios literários feitos por Markides.

Por exemplo: escreva um post (no tamanho dos do Twitter, com 140 caracteres) sobre uma história que tenha um ato de canibalismo; ou escreva uma cena de sexo que contenha um título de uma música do Michael Jackson; ou crie um final alternativo para a história dos Três Porquinhos. Para os interessados em votar, participar ou gastar o tempo com literatura on-line, é só acessar.

Instabilidade no Facebook indica ataque sincronizado às redes sociais


O site de relacionamentos Facebook, dois dos mais populares sites da internet, também teve problemas em seus serviços nesta quinta-feira (6). Já o serviço de microblogs Twitter ficou fora do ar durante a manhã de hoje. As falhas levantaram especulações de que ambos foram alvo de ataques planejados e coordenados por piratas virtuais.

O Twitter informou que está trabalhando para se defender de um ataque virtual que impediu que usuários acessassem o site durante várias horas nesta quinta-feira.

Membros do Facebook, enquanto isso, relataram demora na hora de entrar no site e no momento de publicar comentários em seus perfis. A rede social on-line está trabalhando com o Twitter e o Google para determinar seu houve uma ação programada contra os sites.

A pane no Twitter acontece após uma onda de ataques similares em julho que tirou do ar sites como o da Casa Branca e páginas online na Coreia do Sul. A agência de espionagem sul-coreana disse que a Coreia do Norte poderia estar por trás dos ataques.

Em nota, a empresa de segurança Symantec confirmou os ataques ao Facebook e ao Twitter.

"Até o presente momento, o malware [código malicioso] relacionado a este ataque ainda não foi identificado. Porém, sabe-se que normalmente os ataques DDoS [Negação de Serviços Distribuída] são resultado de malwares instalados em um grande número de computaores de uso doméstico que permanecem sendo monitorados e controladas de forma remota, como acontece nas botnets, a fim de enviar o maior número possível de solicitações/requisições ao website atacado."

Privatização da água mineral

Recursos Naturais

Edital traz privatização da água mineral à tona

segunda-feira 20 de fevereiro de 2006.
A abertura do edital para exploração de fontes de água mineral no sul de Minas Gerais, no dia 16 de fevereiro, traz à tona a discussão sobre a privatização e a internacionalização da água no país, em específico das águas minerais. No Brasil, o aproveitamento comercial das fontes de águas minerais requer autorizações sucessivas de pesquisa e de lavra. As pesquisas destinam-se a conhecer o valor econômico e terapêutico da fonte, enquanto a autorização de lavra envolve as atividades de captação, condução, distribuição e aproveitamento de águas. Embora esse modelo esteja estabelecido desde 1945, gera cada vez mais polêmica. De um lado, os defensores da exploração privada da água mineral apontam seus benefícios econômicos e ambientais. Já os críticos à privatização insistem na água como um bem público, dotado de importância política e social.

A abertura do edital para exploração de fontes de água mineral no sul de Minas Gerais, no dia 16 de fevereiro, traz à tona a discussão sobre a privatização e a internacionalização da água no país, em específico das águas minerais. No Brasil, o aproveitamento comercial das fontes de águas minerais requer autorizações sucessivas de pesquisa e de lavra. As pesquisas destinam-se a conhecer o valor econômico e terapêutico da fonte, enquanto a autorização de lavra envolve as atividades de captação, condução, distribuição e aproveitamento de águas. Embora esse modelo esteja estabelecido desde 1945, gera cada vez mais polêmica. De um lado, os defensores da exploração privada da água mineral apontam seus benefícios econômicos e ambientais. Já os críticos à privatização insistem na água como um bem público, dotado de importância política e social.

Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (Abinam), concorda com a exploração privada das fontes. Em sua opinião, trata-se de uma atividade que exige altos investimentos em instalação, distribuição, processos e tecnologias de qualidade, assim como na proteção dos aqüíferos e na preservação ambiental. “Cada fonte gera dezenas ou centenas de empregos diretos e indiretos e mantém inviolável um bem cada vez mais valioso no planeta, que é a água potável de qualidade, num cenário em que a poluição prevalece sobre todos os demais recursos hídricos. Tudo isso tem um preço e exige responsabilidades que somente a iniciativa privada tem condições de arcar. Vale observar que, no Brasil, 98% das fontes estão nas mãos de empresas familiares e somente duas ou três empresas atuam em âmbito nacional”, argumenta.

Com cerca de 700 fontes, o Brasil produziu 5,3 bilhões de litros de água mineral (o sexto maior produtor do mundo) e faturou aproximadamente R$ 650 milhões em 2004. O país ainda importa cerca de 500 mil litros por ano e exporta 385 mil litros. O setor gera cerca de 200 mil empregos. A média do consumo per capita nacional é de 31 litros, segundo a Abinam. Mundialmente, o mercado é dominado pelas gigantes Nestlé e Coca-Cola, seguidas pela Dannone e Pepsi, movimentando mais de US$ 40 bilhões por ano. Apenas as duas primeiras atuam no mercado brasileiro.

“Via de regra, a empresa multinacional, pelo seu poder de investimento e distribuição, é naturalmente danosa a empresas nacionais, sobretudo em países como o Brasil, onde a maioria das fontes são micro e pequenas empresas. O pior é que as multinacionais preferem investir em outra categoria de produto: a água tratada (de qualquer origem) e mineralizada artificialmente. Isso significa para o Brasil, de um lado, a desvalorização das estâncias hidrominerais - da sua economia e da sua cultura - e, de outro, o abandono das fontes e da proteção ambiental”, avalia Lancia.

Quem concede as autorizações de pesquisa e lavra de água mineral no Brasil é o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME). O DNPM gerencia todas as questões relativas à água mineral no Brasil desde 1945, quando foi assinado o Código das Águas Minerais (Decreto-Lei nº7.841, de 20 de agosto), que caracteriza a água mineral como um recurso mineral, e não hídrico.

Lancia explica que, ao ser classificada como bem mineral, a água mineral se distingue de outros recursos hídricos não apenas pelas suas características físico-químicas, mas também pela proibição legal de não sofrer nenhum tratamento. Ou seja, a água mineral deve chegar ao mercado tal como foi “produzida” pela natureza. “Isso é extremamente valioso para o consumidor. A desvantagem é a carga de impostos que recai sobre a atividade, ao ser taxada na origem como mineral e no mercado como bebida”, diz.

Críticas

Na outra ponta, estão os que acreditam que a água mineral deva ser entendida como um bem público, de acesso livre à população. Para Roberto Malvezzi, coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra, o gerenciamento das águas ficou relegado às leis de mercado sob o pretexto da escassez e da poluição. Segundo ele, "a lógica capitalista passa a aparecer como a melhor forma de gerenciar a água - quem tem dinheiro acessa, quem não tem fica fora". E completa: "antes, a água era de acesso livre à população. Qualquer um podia chegar com seu galão e levar a água para casa, ou banhar-se na fonte. À medida que se faz concessão de lavra, a água mineral passa a ser de uso privado".

Malvezzi ainda destaca que a água é explorada de forma insustentável e, muitas vezes, predatória, e cita o exemplo da Nestlé. A multinacional suíça é proprietária, desde 1992, do Parque das Águas da cidade de São Lourenço, que faz parte do Circuito das Águas mineiro e é economicamente vinculada às águas minerais. Em São Lourenço, a Nestlé foi acusada de secar uma fonte, demolir outra, perfurar um poço sem autorização legal e não aproveitar a água que dali jorrou por dois anos, uma vez que esta tinha elevado teor de ferro e, portanto, era imprópria para consumo. Posteriormente, ainda, a empresa teria alterado a composição química desta água, retirando o ferro para comercializá-la, procedimento considerado ilegal no país - a lei proíbe qualquer alteração no teor mineral das águas.

Como alternativa à privatização, Malvezzi defende que a água mineral seja gerenciada pelo Sistema Nacional de Recursos Hídricos (SNGRH) e não pelo Departamento Nacional de Produção Mineral. O SNGRH é responsável por implementar a Política Nacional de Recursos Hídricos e entende a água como um bem de domínio público, que deve ser gerida de forma descentralizada, com a participação do poder público, dos usuários e das comunidades, embora seja dotada de valor econômico (e, portanto, passível de cobrança pelo uso) por ser um recurso natural limitado. Se a água fosse mantida como bem público, diz Malvezzi, seria necessário pensar na melhor forma de engarrafamento e distribuição do produto. “Por enquanto, ninguém sequer formulou uma proposta alternativa”, admite.

Edital

Os interessados na exploração das águas minerais Araxá, Cambuquira, Caxambu e Lambari, no sul de Minas Gerais, tiveram até 14 de fevereiro para retirar o edital de concorrência pública na sede da Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), em Belo Horizonte. As propostas poderão ser enviadas para a Codemig a partir do dia 16 de fevereiro, sem data definida para o encerramento. A empresa que ganhar a concessão terá direito ao arrendamento, por 15 anos, renováveis por mais 15, dos direitos minerários, dos equipamentos e das instalações de envasamento das quatro marcas citadas.